ACUPUNTURA PRO

by prof. dr. Luiz Carlos Arias Araújo (11) 81191526 (13) 81280393 luizarias@hotmail.com







sexta-feira, 4 de março de 2011

O TAO E O AMOR

O Tao e o Amor (escrito por Philos, o Athlante, há milhares de anos)

Mestre: O que é o amor?
Jovem Philos, o Amor é como o Tao, o Tao que tem definição não e o verdadeiro Tao,  o amor que tem definição não é o verdadeiro amor.
Mestre, como assim? Entendo que o Tao seja algo indefinível, mas o amor pode ser sentido pode ser vivido.
Sim, mas o Tao contém o amor, contém o mundo, contém os dez mil seres. Alias o amor surge no seio do  Tao, e através do sublime amor nós encontramos o Tao. O amor ao próximo, ao semelhante e a verdade são os ingredientes para alcançarmos a maestria e assim voltarmos ao Tao.
Mestre me desculpe a ousadia, mas me referia ao amor de um homem e uma mulher. O senhor nunca amou uma mulher?
Você e suas perguntas impertinentes. Antes do céu do que vem antes e antes do céu que vem depois se separem e formarem o vazio mediano, aonde existe a manifestação dos dez mil seres, minha alma vivia em companhia de uma outra que me completava e me entendia. Éramos dois por sermos metade de um, então  éramos assim partes complementares desse mesmo um. Os meus sopros eram mais densos e fui manifestado no mundo dos 10 mil seres antes dela. Minha vida era de conquistas e de guerras.  Como guerreiro derrotei mais de dez mil homens. Eu, meu cavalo e minha espada éramos um só.  Dominei reinos, castelos, carruagens, rainhas, princesas e amantes.  Comi e bebi as melhores comidas. Passei fome e passei sede, mas não me importava, pois sede e  fome são apenas faces contrárias da fartura e a verdadeira fartura não está entre comidas e bebidas. No caminho do Zen e do Tao não devemos dar importância para o que temos demais e nem para aquilo que nos falta.
Mestre, o senhor fala de princesas, rainhas e amantes e também de alguém que viveu junto a sua alma no reino do céu anterior. Foram todas essas mulheres pedaços daquela alma?
Não, meu querido discípulo. O grande amor, o complemento da minha existência, a razão do meu propósito, aquela que devo esperar, não era uma dessas rainhas ou princesas. Era sim princesa, mas seu dono era outro príncipe. Mas o amor, assim como Tao, não obedece as leis dos homens, obedece apenas a sua própria lei. Quando meus olhos fitaram os olhos dela pareceu que o mundo parou. Tudo passou a ter sentido, minhas lembranças foram pouco a pouco sendo completadas pela sua presença e tudo  vivido até então passou a ter um sentido. Era como ela sempre estivesse presente comigo, mas invisível e agora com toda sua luz tornou-se visível e assim pude completar as lembranças do meu passado com a sua imagem. Ao avistá-la,  uma enorme energia emanou de nossos corpos.E   em um espaço compreendido entre eu e ela,  se encontraram e se fundiram. Não precisamos nesse momento nos tocar.
Mestre, então ela tornou-se sua esposa?
Não, infelizmente não. Ela estava prometida para outro e aquele dia era o dia de seu casamento.  Tinha sido especialmente convidado para esta cerimônia. Meus pensamentos todos foram direcionados para que ela não o desposasse.
Nossa mestre, então o senhor nunca a tocou?
Como disse,  Philos, o Tao não obedece a lei dos homens, mas apesar de ser um homem honrado e ela uma mulher dos mais dignos princípios nosso amor era por demais intenso, ultrapassava milhas e milhas de distância e por mais que tentássemos não pensar um no outro, nossas mentes estavam ligadas. Em pensamento toquei toda a sua existência e ela a minha. Sentia sua presença a todo instante, e foi assim por um tempo que para mim foi imenso. Quis o destino que em pouco tempo após seu casamento nos encontrássemos. Foi uma situação particular, nos encontramos por acidente. Sua comitiva estava sendo atacada e dizimada,  então ouvi ao longe seus gritos, naquele momento ela era a última vítima. Eu estava meditando a margem de um rio. Ao ouvir seus gritos ao longe tinha certeza absoluta  de ser ela e com um sorriso no rosto destruí todo um exército. Estava muito cansado, mas ao vê-la, nossas almas conversaram através da profundidade do olhar e nos beijamos e nos amamos intensamente. Parecia que o tempo havia parado, o rio parado de correr, os pássaros de cantar. Banhamos-nos na cachoeira e oferecemos flores para a deusa d’água e conversamos muito. Não sentíamos culpa, pois o que fazíamos era certo, obedecia a ordem do Tao. Escrevi poemas e cantos para ela, em parte do tecido de seu lindo vestido branco e roto, com o sangue dos meus ferimentos. Nos recompusemos e a escoltei até seu palácio. Seu marido me agradeceu, mas notei que nutriu de imediato uma grande antipatia por mim.
Os dias passaram devagar. Nos comunicávamos por pensamento a todo o momento. Nossos encontros secretos, quando possíveis, eram curtos e espaçados e apenas podíamos conversar. O jovem marido, sentiu a diferença da esposa  e descobriu tudo. Ela negou veementemente o nosso amor, disse que o amava. Que não podia viver sem ele. Mas ele tinha visto o meu poema para ela e tentando acreditar na inocência da esposa me chamou para um duelo. Ela não queria, implorou ao marido. Jamais havia perdido um duelo sequer. Esperava que ela dissesse que me amava e que iria embora comigo. Mas ela não o fez.  Na minha presença confirmou a lealdade a seu esposo e pediu para mim que confirmasse a sua inocência. O meu amor por ela era mais profundo do que a minha vaidade e desse modo confirmei. O príncipe ficou possesso pois acreditava que estava o desrespeitando fazendo a corte em sua jovem esposa. Sacou a espada e disse: “você tem que morrer!” Estava disposto a aceitar esse destino, mas minha natureza era guerreira. O conselheiro chefe, percebendo a desvantagem do nobre, sugeriu um duelo com todas as honras, pois sabia, que se não fosse preparada nenhuma armadilha, ele não teria chances contra mim. Marcaram o duelo ao nascer do sol, em uma praia próxima. Essa era a artimanha utilizada pelo conselheiro, usada muitas vezes antes e muitas depois, em outros combates. Sabendo que eu viria pelo oeste, a luz do sol me cegaria e assim o seu soberano poderia me vencer. Acontece que quem esta no caminho do Tao não precisa de olhos para enxergar. Fechei os olhos e a minha espada tornou-se o prolongamento de meus braços  e imaginei como se fosse  noite. E meus ouvidos foram meus olhos e antes mesmo que o príncipe pudesse pensar já o tinha sob a lâmina de minha espada.  Ia desferir o golpe fatal, mas senti os pensamentos de minha amada. Ela também amava o seu marido. Disse-me que o sentia por mim era mais intenso e de outro mundo, mas que ele não tinha culpa e que o príncipe não podia ser sacrificado por ela não ter me esperado. Poupei-lhe a vida, me ajoelhei a seus pés e pedi perdão. Jurei que nunca havia tocado em sua esposa. Parti dali e abandonei minha espada.
Mestre, que história triste, não? E essa mulher! Como que não o acompanhou? Porque o senhor abandonou a espada?
Essa história não é nem boa e nem má. Apenas é assim. Todos nós temos os nossos desígnios. Ela preferiu guardar todo sofrimento para si do que ser responsável pelo sofrimento do príncipe.
Mas mestre ela também o fez sofrer!
Caro Philos, apenas sofre aquele que aceita o sofrimento, aquele que se apega a algo.  Ela sabia disso. Ela sabia que mesmo sem nos encontrarmos as nossas almas estavam ligadas. Ela tinha a certeza que eu não me apegaria ao material. Ela sabia que eu não precisava disso. Para mim a simples lembrança de todo o pouco que vivemos era suficiente para encher minhas memórias. Ela sabe que viverá para sempre em meu coração. O AMOR  é livre e não obedece regras. Ele não faz sofrer. Ele faz engrandecer.
Mas mestre, foi muito pouco tempo.
O tempo, meu amigo não importa. A existência sim. A vida é uma paisagem que observamos com suas mudanças características. Ao observarmos uma montanha ao longe, as vezes observamos o cume, outras as nuvens não permitem. Mas o cume da montanha deixou de existir?
Não mestre, e claro que não.
Com o amor também é assim, mesmo que não possamos vê-lo, tocá-lo ou senti-lo ele existe dentro de nossos corações.
Minha espada eu abandonei pois cometi apenas uma falta. Menti. Menti para o príncipe que não a desejava, que não a amava. Foi uma mentira para salvá-la, mas foi uma mentira. Não existe mentira grande ou pequena, existe a mentira. Como a minha espada apenas defendia a verdade, não pude mais empunhá-la.
Mas mestre o senhor não ficou desapontado com as palavras da jovem, desprezando o seu amor?
Filho, as palavras ditas com a boca tem pouco valor para quem conhece a linguagem dos olhos e a da alma
Mestre e o ciúme e a inveja do outro homem que vive com a sua amada?
O ciúme e a inveja são sentimentos que são alimentados por nossas mentes e nada caracterizam o amor. O amor é livre e não encontra obstáculos quando é desinteressado. Vivo no caminho do Tao como posso ter sentimentos assim?  
Mestre, o senhor acha possível reencontrá-la?
Sim com toda certeza que sim. O homem pode mudar o curso do rio e bifurcá-lo, mas não o pode fazer com a sua nascente. O que jorra da nascente do rio é água que corre e desce as montanhas e deságua no oceano. Nós somos essa água da nascente. Mesmo que não a encontre no meio do oceano, um dia essa água evaporará e virará chuva e em uma dessas chuvas a minha face será molhada pela doce lembrança desse amor eterno.


4 comentários:

  1. Quem dera aprendermos amar com tamanha profundidade...belíssima história. Obrigada por a compartilhares conosco.

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  2. Linda história...como é difícil amar assim com tanto desapego..
    É preciso se conhecer muito bem e estar completamente desprendido do mundo material e estar espiritualmente preparado pra esse amor autruísta...
    Luiz você é um grande mestre! Aprendemos muito com você.

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  3. A linda história é muitíssimo parecida com que experencio atualmente, parece até que já a conhecia. É desse jeito! Talvez um dia virará chuva e para mim estará tudo bem!

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  4. ...Quando meus olhos fitaram os olhos dela pareceu que o mundo parou....
    Simplesmente......simples para quem vive o caminho do Tao.
    Amado mestre, sábio e sensível.....Obrigada por tanto conhecimento.

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